Júnia Leticia
Com a incidência de raios e os consequentes apagões, muitas empresas se deparam com sistemas perdidos e computadores queimados devido a curtos-circuitos. Para minimizar os prejuízos, a instalação de data centers é uma alternativa adotada por muitas delas. Seja terceirizado ou na própria empresa, a solução é essencial para assegurar as informações.
Espaço físico projetado para armazenamento de computadores e sistemas de corporações, os data centers são fundamentais para empresas que necessitam de um ambiente de alta disponibilidade e confiabilidade. A observação é feita pelo vice-presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação de Minas Gerais (Assespro-MG) e diretor da Seven Informática, Eduardo Zambaldi. “Este ambiente deve garantir energia elétrica de qualidade, conexões com Internet estáveis, segurança física com vários níveis de acesso e monitoração constante”, ressalta.
A segurança dos dados em um data center é garantida por uma estrutura que conta com nobreaks e geradores a diesel. “Esses recursos garantem uma segunda fonte de energia elétrica aos equipamentos nele alocados. Por isso, em caso de apagão, a estrutura está melhor preparada para situações de pane no fornecimento de energia elétrica”, conta Eduardo Zambaldi.
A conservação da segurança dos dados é uma preocupação que independe do porte da empresa, seja ela pública ou privada. O assunto merece tanta atenção que, no âmbito da administração pública, a Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Prodemge) foi a primeira empresa de Tecnologia da Informação do Brasil a possuir um data center com a classificação Tier 3 da norma EIA/TIA 942 do Uptime Institute, como informa o diretor de Negócios da instituição, Nathan Lerman.
A classificação Tier 3 é que determina o padrão de desempenho do data center de uma empresa de acordo com o seu tipo de serviço, no caso, “empresas que oferecem suporte 24x7x365 a clientes internos e externos, permitindo manutenções programadas sem interrupção dos serviços”, de acordo com o diretor.
Empresa de tecnologia de informação do governo de Minas Gerais, a Prodemge dispõe de infraestrutura tecnológica para informatização da administração pública estadual, dos poderes Judiciário e Legislativo e dos municípios mineiros. Devido à necessidade de garantir a segurança das informações, a instituição recentemente reformou seu data center. “Com isso, os clientes ganham em segurança, confiabilidade e alta disponibilidade”, explica.
Na Prodemge, o data center ocupa uma área superior a 400m², sendo 110m² da sala-cofre que abriga todos os ativos críticos dos sistemas do Estado. Mas para quem não dispõe deste espaço, há a opção de terceirizar os serviços, como conta o diretor da Assespro-MG, Eduardo Zambaldi. “Um data center ou CPD (Centro de Processamento de Dados) pode ser criado em um local específico de uma empresa. Porém, devido ao alto custo operacional, muitas estão optando em terceirizar esta estrutura”, diz.
Segundo o diretor da Seven, o data center terceirizado oferece espaço para servidores de clientes. Neste espaço (racks), o cliente pode fornecer servidores em formato Torre ou Rack. “O data center oferece serviços de segurança física dos servidores, banda internet para o sistema e instalações/administrações de sistemas operacionais e banco de dados”, explica. Existe, também, a opção de oferta de servidores virtuais, criados em sistemas de Storage do data center. “A virtualização de servidores garante mais estabilidade e segurança da informação, pois rodam sobre equipamentos de última geração”, acrescenta.
A probabilidade de perda de informações pode ser minimizada por meio de servidores redundantes e políticas de backup, segundo Eduardo Zambaldi. Com relação à descoberta de informações por hackers, ele fala que, uma vez que os servidores estão disponíveis para a Internet, os cuidados com a segurança lógica devem ser tomados em qualquer local, seja na empresa ou no data center terceirizado. “Geralmente o data center já oferece proteções por firewall, conjunto de ferramentas que servem para proteger a rede de computadores de ataques oriundos da internet.”
O data center funciona 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano, por isso, deve contar com redundâncias de energia elétrica e link com a Internet, além de disponibilizar profissionais especializados para monitoração dos serviços e atendimento em qualquer horário ou dia da semana. “Com a terceirização, isso é mais viável”, observa Eduardo Zambaldi.
Seja para aumentar a qualidade do serviço que a empresa presta a partir de seus servidores, garantir energia elétrica mesmo em momentos de apagão ou o acesso à Internet por meio de links de fibra óptica ou rádio redundantes, a opção pela terceirização é uma alternativa que também garante redução de custos operacionais. “Com isso, é possível focar no negócio da empresa, uma vez que não se tem uma estrutura que requer atenção 24 horas”, conta.
Para se contratar um data center, é necessário realizar reuniões para apresentação das necessidades, dimensionar equipamentos, banda internet e links ponto-a-ponto, apresentação de proposta comercial e instalação dos servidores. “também é fundamental a definição da rede, configurações de firewall, instalação das aplicações, migração de dados, testes e publicação do serviço, tudo acertado em contrato”, completa.
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