Na última década, o setor de Tecnologia da Informação (TI) tem colocado a capital mineira em destaque no cenário nacional. Apontada como a segunda cidade no Brasil no volume de empregos gerados pelo setor, segundo dados da pesquisa A Visão de Futuro em TI e as Competências Necessárias à Competividade, realizada pela Sociedade Mineira de Software (Fumsoft) em 2007 e publicada em 2008, Belo Horizonte tem atraído a atenção de gigantes do setor, como a norte-americana Google, que já está na cidade, e a indiana Infosys, que se prepara para instalar-se em Nova Lima.
A publicação do Decreto 6.945/2008, que regulamenta a desoneração de encargos previdenciários para empresas do setor de Tecnologia da Informação e Comunicações (TICs), a publicação do decreto 13.679 que concede incentivos fiscais concedidos pela Prefeitura de Belo Horizonte, somado aos investimentos da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (Sectes-MG) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) apresenta perspectivas ainda mais promissoras para setor no Estado, segundo Osmar Aleixo, coordenador do Arranjo Produtivo Local (APL) de Eletroeletrônicos, projeto estruturador do Governo de Minas coordenado pela Sectes.
De acordo com Osmar Aleixo, a Secretaria tem um conjunto de ações que estão consignadas no Projeto Estruturador de Arranjos Produtivos Locais, dentre eles o APL de Software, baseado da região de Belo Horizonte e Viçosa e o APL de Eletroeletrônicos, na região de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas. “Este ano tivemos um orçamento da ordem de R$ 6 milhões. O governo do Estado investiu, dentro do APL, no conjunto de ações que vão desde a melhoria da gestão das empresas, passando por editais de novos projetos para promover a inovação de produtos”, conta o coordenador do APL de Eletroeletrônicos. Para 2010, são esperados investimentos da mesma ordem.
A publicação, no final de agosto, pelo Diário Oficial da União, do Decreto 6.945, que regulamenta a Lei 11.774/2008, antiga Medida Provisória 428, aprovada em setembro do ano passado pelo Congresso Nacional e que trouxe modificações à Lei do Bem (Lei 11.196/2005), que prevê uma série de incentivos fiscais dedicados à inovação tecnológica, também foi comemorada pelo coordenador do APL de Eletroeletrônicos. “Com relação à Lei do Bem, nossa expectativa é a melhor possível. Esses benefícios foram responsáveis pelo aumento da competitividade e eu diria até pela eliminação do mercado cinza, formado por importados que vinham do Paraguai”, diz Osmar Aleixo.
A Lei do Bem e o conjunto de incentivos fiscais possibilitarão a geração de empregos e a redução do custo dos equipamentos produzidos no país. “O custo desses produtos baixou em contrapartida aos benefícios de isenção fiscal que foram concedidos. Isso possibilitou, com o menor preço dos equipamentos, concorrer diretamente com os que eram importados via Paraguai. O benefício foi muito grande. Eu diria até que ampliou a geração de empregos aqui no Brasil, particularmente em Santa Rita do Sapucaí, que é um dos fornecedores dessa cadeia produtiva”, ressalta o coordenador do APL de Eletroeletrônicos.
Geração de empregos – Segundo os dados da Fumsoft, de 2000 a 2007, o volume de empregos gerados pelo setor de TI em Be¬lo Horizonte subiu 358%, passando de 1.579 para 7.240. Com esse resultado, a cidade, que ocupava a quarta posição no ranking nacional, passou Brasília e Rio de Janeiro é a vice-líder, atrás de São Paulo, que tem 9.354 profissionais do setor, 54% a mais que no início da década.
Entre os fatores que impulsionaram o crescimento, estão a organização das entidades, como a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação de Minas Gerais (Assespro-MG), que se uniram para desenvolver a área, o volume de empregos gerados pelo setor, e a atuação do governo, que colocou o setor entre seus projetos prioritários. Uma demonstração da iniciativa governamental é a instalação do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTEC), que está sendo construído na Pampulha.
Uma parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte, o Governo de Minas e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Parque Tecnológico virou realidade por meio do projeto de lei 1.640/08. Estão previstos investimentos de R$ 1,15 milhão por parte da PBH e na ordem de serviço o prazo previsto para conclusão dos aportes é de 210 dias. Para o presidente da Assespro-MG, Ian Campos Martins, um dos benefícios do BHTEC é estabelecer uma ponte entre o setor produtivo e instituições que produzem conhecimento. “Isso atrairá empresas de grande valor agregado que trabalham com alta tecnologia”, analisa.
Pólo na geração de pesquisa e novas tecnologias em Belo Horizonte, por meio da cooperação entre a universidade e empresas, o BHTEC vai abrigar laboratórios de pesquisa, empresas de serviço e outras, cujo produto final seja baseado em tecnologia avançada - como as do setor de biotecnologia e de tecnologias de informação. “Aproximar a pesquisa científica das necessidades da indústria mineira contribui para a ampliação da oferta de emprego na cidade”, revela Ian Martins.
O setor é constituído, em sua maioria, por micro e pequenas empresas de TI, que são 94,2% do total. As grandes são apenas 0,9% e ganharam reforço este ano, quando a Infosys instalou em Nova Lima sua sede brasileira e a primeira na América do Sul. Na América Latina, a Infosys só está presente no México. “A indiana chegou a cogitar a implantação no Estado de São Paulo, mas o custo da mão de obra pendeu a balança para o lado mineiro. Pesou ainda o fato de Belo Horizonte ter um consulado indiano, que não existe em São Paulo”, informa o presidente da Assespro-MG.
A empresa é a segunda maior em TI da Índia, atrás apenas da Tatá Consultancy Services (TCS). São 103 mil empregados em 50 escritórios no mundo inteiro. Em Minas serão 80 vagas, a princípio. Até o fim do ano, o número pode chegar a 300. A capital mineira também recebeu, recentemente, o centro de capacitação em TI de outra indiana, a Aptech Worldwide Limited. A Empresa vai atuar por meio de uma joint venture com a belorizontina Triple AIT Services. Este primeiro centro da Aptech no Brasil será operado e gerenciado por ambas as partes, indiana e brasileira, com uma gradual transferência de tecnologia da parte indiana. O programa de treinamento é voltado para jovens de 17 a 24 anos.
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