terça-feira, 5 de janeiro de 2010

SOA agiliza processos e reduz custos

Júnia Leticia

Obter mais agilidade no desenvolvimento de soluções de negócios e reduzir custos. Estas são algumas das vantagens oferecidas pelo Service-oriented architecture (SOA), em português, arquitetura orientada a serviços. Com o princípio de que funcionalidades implementadas pelas aplicações devem ser disponibilizadas na forma de serviços, SOA é um estilo de arquitetura de software que possibilita fazer mais com os recursos já existentes na empresa para alcançar melhores resultados, com menores custos.

Com SOA, uma empresa usuária de serviços e que precisa mudar seus processos de negócio pode fazê-lo rapidamente, apenas com conhecimento no nível de negócios sobre os serviços envolvidos, como conta o gerente de TI da Fácil Informática, Adriano Silveira. “Isto permite mudanças muito mais rápidas e corte de custos, fazendo com que a companhia atinja os benefícios dos novos processos mais rapidamente”, acrescenta.

Como exemplo, ele diz que, se a empresa fornece serviços, poderá, com SOA, retirar um sistema legado caro e substituir por um de melhor custo, sem nenhum trauma. “A área de TI também se beneficia com uma maior organização dos produtos de software e hardware disponibilizados aos usuários, facilitando o gerenciamento do crescimento dos sistemas corporativos”, completa o gerente de TI da Fácil.

O ponto central da SOA é que, com ela, a área de negócios pode dizer somente o que fazer e do que ela precisa, e não como fazer, conforme Adriano Silveira. “O funcionário que solicita algo à TI não tem que se preocupar em saber sobre como o serviço será feito”, fala. Segundo ele, a partir de uma necessidade de negócio, esta é disponibilizada dentro de um barramento de serviços (ESB - Barramento de Serviços Empresariais), sem que a área de negócios necessite saber qual tecnologia foi adotada, qual linguagem foi utilizada, como o serviço foi integrado ao barramento, entre outros.

A arquitetura orientada a serviços também pode auxiliar no alinhamento das estratégias de TI, como fala o diretor da Assespro-MG, Antônio Geraldo Mota. “Isso é feito por meio da disponibilização de um catálogo de serviços de software que atendam às necessidades dos processos de negócio, provendo agilidade e padronização no atendimento às demandas”, aponta.

O gerente de TI da Fácil Informática completa dizendo que, por meio do BPM (Business Process Modeling, ou Modelagem de Processos de Negócio), as empresas podem modelar seu ambiente de negócios, alinhando toda a estrutura de TI existente, ou a ser construída, com as estratégias de negócio. “São utilizados métodos, técnicas e ferramentas para analisar, desenhar, publicar, otimizar e controlar processos, envolvendo recursos humanos, aplicações, documentos e outras fontes de informação.”

Com emprego em praticamente qualquer negócio que possua um ambiente heterogêneo de dados, processos e negócios, atualmente, no Brasil, há uma grande variedade de aplicações para SOA. “Cada uma com sua especialidade e a possibilidade de integração via arquitetura orientada a serviços. Obviamente, é necessário evitar exageros nessa variedade de adoção, pois integrar também dá trabalho e gera custos”, ressalta Adriano Silveira.

Conceito – Tendo como principais conceitos Processos de Negócio, Catálogo de Serviços, Barramento de Serviços Corporativos (ESB - Enterprise Service Bus), Orquestração (Business Process Management) e Componentes de Software, SOA não é um novo conceito, conforme o diretor da Assespro-MG, Antônio Mota. “E com o amadurecimento dos métodos e das tecnologias de software para suporte à implementação de SOA, aliado à necessidade de agilidade e padronização cada vez por parte do negócio, a tendência é que este tipo de arquitetura de implementação de software se torne um padrão no médio prazo”, observa.

A evolução e o amadurecimento do conceito de SOA nos últimos anos, bem como das tecnologias e métodos que o suportam, tem feito com que o mercado fique cada vez mais preparado para auxiliar as corporações na adoção deste conceito e da tecnologia associada a ele, como nota o gerente de desenvolvimento da Auge Tecnologia & Sistemas, Haroldo Meirelles. “Entretanto, o domínio do conhecimento e das tecnologias envolvidas ainda está restrito aos grandes fornecedores de tecnologia e consultoria de processos.”

Esse conceito está sendo absorvido paulatinamente, como observa o gerente de TI da Fácil Informática, Adriano Silveira. Isso pode ser notado pela razoável demanda por cursos, especializações, consultorias e outros serviços relacionados. Mas ainda não há muitas opções de contratação. “O instituto Gartner ressalta que, até 2010, menos de 25% das grandes corporações terão desenvolvido as habilidades técnicas e organizacionais necessárias para entregar a arquitetura orientada a serviços em toda a organização”, revela.

Contudo, a cada ano, essa oferta vem aumentando e a tendência é que, com o tempo, o mercado esteja cada vez mais preparado para atender a adoção de SOA nas corporações. Por isso ele acredita que SOA é um caminho sem volta e com grande possibilidade de sucesso. “Apesar das dificuldades iniciais de se implementar esse estilo de arquitetura e da baixa aceitação inicial de muitas corporações, as vantagens a médio e longo prazo justificam os investimentos, principalmente em mercados de muita volatilidade”, aponta Adriano Silveira.

Segundo ele, as empresas terão que, a cada dia, se adaptar mais rapidamente às mudanças e uma boa maneira para ajudar a alcançar esse objetivo é a adoção de SOA. “De acordo com estimativas do Gartner Group, o desenvolvimento orientado a serviços mudará a forma de se construir, empacotar e vender sistemas, em mais de 80% das empresas de software”, observa Adriano Silveira.

Para se iniciar a adoção de SOA nas empresas, o gerente de desenvolvimento da Auge Tecnologia, Haroldo Meirelles, conta que é preciso conhecimento e mapeamento dos processos críticos de negócio e das aplicações de software que suportam estes processos. “Além disso, é preciso a aquisição e implementação de tecnologias de software que possibilitem a disponibilização de um catalogo de serviços, a implementação de um barramento de acesso a estes serviços e a componentização das aplacações que suportam os processos críticos de negócio”, explica.

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