terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Tecnologia da informação na área de saúde

Júnia Leticia

Presente em todas as áreas do conhecimento, a Tecnologia da Informação (TI) ganha cada vez mais espaço em setores diversos, como o hospitalar. Segundo o Gartner Group, principal instituto internacional de pesquisas do setor de TI, os investimentos na área em hospitais brasileiros crescem cerca de 20% ao ano, enquanto no restante do mundo este número é de 6,6%.

A utilização de TI nos hospitais nos últimos 30 anos evoluiu de um cenário onde o computador era utilizado para realizar tarefas simples e isoladas, para um novo panorama de integração total entre os diversos pontos que geram e utilizam a informação. Esta constatação é feita pelo diretor geral da Liga Sistemas, especializada em desenvolver software para medicina diagnóstica, e diretor da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação de Minas Gerais (Assespro-MG), Luiz Normanha.

Segundo ele, a TI atua nos níveis estratégicos, táticos e operacionais. “Isso torna o seu uso fator determinante para o aprimoramento dos profissionais envolvidos e para a excelência dos produtos e serviços prestados nesse segmento, tanto no setor público como no privado”, observa o diretor da Liga Sistemas.

Para o gerente operacional da MCJ Assessoria Hospitalar e Informática, Flávio Coimbra, atualmente muitas instituições estão encarando a TI como setor estratégico para o desenvolvimento de procedimentos hospitalares. “Entendendo que uma entidade hospitalar deve ser administrada da mesma forma que uma empresa de prestação de serviço qualquer, é possível, então, afirmar que a informatização dentro da instituição contribui fortemente para o desenvolvimento do ramo principal da mesma”, completa.

O alinhamento estratégico da TI em unidades de saúde representa um tema-chave, portanto, obrigatório para a compreensão das estruturas e dos processos envolvidos nesse ambiente, analisa Luiz Normanha. “Isto possibilita, principalmente, um aumento da eficácia e da eficiência do atendimento, redução de custos e a consequente geração de bons resultados”, explica.

Uma consequência da difusão cada vez maior da utilização das ferramentas de TI é a melhora do cuidado com os pacientes. “Além disso, há um aumento da produtividade, proteção de dados clínicos importantes, maximização da colaboração entre os envolvidos, anotações eletrônicas acessíveis de qualquer lugar e pontualidade na execução das tarefas”, enumera Luiz Normanha.

A demanda na área de saúde atende a vários setores. Sobre o ponto de vista clínico, há a necessidade de registros rápidos e intuitivos, visualização de alertas sobre informações relevantes, interligação de todos os profissionais envolvidos, armazenamento seguro de todas as informações contidas nos processos. “Considerando aspectos de gestão, podemos citar a correta contabilidade dos procedimentos, a possibilidade de uma análise rigorosa da atuação dos profissionais e do uso de materiais, o controle para a não realização de procedimentos desnecessários e também a redução dos custos gerais”, exemplifica Luiz Normanha.

Com relação ao nível operacional, o diretor ele diz que é importante se ter pontos de acesso, por meio de computadores, estrategicamente colocados nos setores do hospital/unidade de saúde. “Esta atitude propicia, de forma ágil, pesquisas e inserção de informações necessárias para o acompanhamento dos episódios e tomada de decisão”, completa.

Ferramentas – As soluções de TI para a informatização de hospitais e unidades de saúde devem prover uma comunicação eficiente entre todos os setores hospitalares envolvidos nos processos de assistência, registro, diagnóstico e tratamento do paciente. De acordo com Luiz Normanha, as soluções podem ser divididas, basicamente, em três grandes grupos de sistemas integrados a um sistema de Prontuário do Paciente (PEP).

Os Sistemas de Informações Hospitalares (HIS – Hospitalar Information System) fazem parte deste grupo. Por meio dele é possível, por exemplo, fazer pré-admissões, admissões e altas de pacientes, elaborar estatísticas dos Registros Médicos e fazer o BI (Bussines Intelligence), que pode ser traduzido como Sistema de Inteligência de Informações Clínicas. “Além deles, há os Sistemas de Gestão Integrada de Recursos (ERP) e os Sistemas Especialistas, que tem como destaque o Controle de Infecção Hospitalares (CIH)”, enumera Luiz Normanha.

Além disso, como grande parte das instituições já informatizaram seus setores básicos, como evolução, as unidades hospitalares estão em busca da interação do médico com a TI, como conta o gerente operacional da MCJ, Flávio Coimbra. “Esta funcionalidade coloca todos os processos e atividades médicas do dia a dia parametrizadas em seu recurso tecnológico, permitindo ao médico agilidade no preenchimento de dados e vínculo com os demais segmentos que utilizam estes dados para geração de informações estatísticas e gerenciais, como por exemplo, o Custo Hospitalar”, completa.

Formação do profissional e infraestrutura – Como a TI é uma ferramenta utilizada por um profissional, para o melhor andamento do trabalho, o diretor da Assespro-MG, Luiz Normanha, aconselha que o usuário das ferramentas tecnológicas tenha conhecimentos multidisciplinares, com foco em saúde. “Sua formação deve abranger administração de serviços ao consumidor, gestão de pessoas, contabilidade, planejamento de gestão estratégica, ética médica e políticas do setor, marketing, responsabilidade social, entre outras”, exemplifica.

Para se adequar a esta realidade, hospitais e clínicas precisam, além de toda uma infraestrutura tecnológica que envolve computadores, servidores, rede de computadores e acesso à internet, que a instituição esteja disposta a reestruturar os processos internos, conforme Flávio Coimbra. “Informatizar é mudar processo em busca de melhores resultados”, ressalta.

A necessidade de transformar produtos e serviços caros e complexos em itens de maior qualidade, menor custo e acesso mais conveniente não é um desafio exclusivo do setor de assistência à saúde, como observa Luiz Normanha. “Na verdade, uma nova ordem está sendo amplamente discutida no mundo e essa ruptura virá com novos modelos de gestão que propõem soluções que simplifiquem o problema tecnológico, tornando seu uso mais simples, um modelo de gestão capaz de levar essa solução simplificada ao mercado por um preço justo e mais barato”, finaliza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário