terça-feira, 5 de janeiro de 2010

TI e biologia: aliadas na identificação segura de dados

Júnia Leticia

A crescente necessidade de aumentar o nível de segurança e evitar fraudes tem forçado o desenvolvimento de novas tecnologias que confiram mais tranquilidade nas transações e nos relacionamentos. Uma dessas soluções é a Biometria, tecnologia que utiliza características biológicas em mecanismos de identificação, entre elas, a íris e a retina do olho, a impressão digital, a voz, o formato do rosto e a geometria da mão.

Uma das áreas em que a Biometria é demandada é de segurança na implementação e funcionamento de políticas públicas. Se por um lado o grande crescimento de programas sociais, como o Bolsa Família e a Farmácia Popular, geraram um impacto positivo na vida do cidadão em todas as partes do país, de outro representa um enorme desafio às instâncias governamentais para facilitar o acesso da população aos benefícios e garantir segurança a todo o processo.

Um dos sistemas de funcionamento desta tecnologia consiste na utilização de um cartão contendo chip, onde estão gravadas informações do indivíduo, em especial, sua impressão digital. Um aparelho lê esses dados enquanto o usuário coloca o polegar sobre um outro dispositivo. O sistema compara cartão e a digital verdadeira e, confirmada a compatibilidade, a movimentação do benefício é liberada.

Outro exemplo de solução é a de identificação facial, como conta a diretora adjunta da Montreal Informática, Lúcia Alvarenga. Atualmente a empresa desenvolve um projeto de desenvolvimento da tecnologia de reconhecimento facial com apoio acadêmico da PUC-RJ e financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério de Ciência e Tecnologia. “A ideia é permitir que a identificação de pessoas possa ser realizada, além das comparações de impressão digital, também pela imagem facial”, esclarece.

As inúmeras aplicações da Biometria faz com que a identificação digital esteja em franco crescimento justamente pelo impacto social que causa. Segundo Lúcia Alvarenga, todas elas ajudam governos a melhorar o desempenho de uma série de serviços, a começar pela identificação civil e a segurança pública. “O entusiasmo com que trabalhamos nesses projetos vem justamente desse fato. Percebemos que o impacto da tecnologia realmente ajuda a melhorar a vida das pessoas”, diz.

Apesar de o assunto estar mais em evidência agora, algumas dessas biometrias, como a impressão digital, já são usadas há mais de 100 anos como método de identificação, especialmente na área policial, em investigações e solução de crimes, como conta o diretor da Área de Identificação Digital da Montreal, Antônio Carlos Censi. “Agora a Biometria está se disseminando em aplicações para outras áreas, como a financeira, de saúde, controle de acesso, entre outras”, completa.

Nos últimos dez anos, a computação tem sido utilizada como ferramenta tecnológica para a identificação por impressões digitais. Isso permite que grandes volumes de dados sejam tratados e seu uso facilitado na identificação civil. “O sistema apresenta uma altíssima precisão, cerca de 98% de acertos, permitindo a identificação unívoca das pessoas e a redução das fraudes e crimes. Como as características físicas das pessoas não podem ser alteradas nem perdidas, elas se tornam um eficiente meio para a identificação com alto índice de precisão”, esclarece Antônio Carlos Censi.

Uso por empresas privadas – Nas organizações privadas, a o uso da Biometria também é crescente, como observa o conselheiro de Normas e Ética da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação de Minas Gerais (Assespro-MG), Marcos Brafman. Utilizada para ter mais segurança no controle da frequência do trabalhador, empresas estão cada vez mais aderindo ao ponto digital, que permite a identificação do funcionário por meio das digitais.

Segundo o Marcos Brafman, além da freqüência de funcionários, a Biometria possibilita o controle de acesso de pessoas em ambientes restritos. “O sistema pode ser utilizado para catracas eletrônicas, controle de ponto, entre outras. Porém, para cada projeto, é necessário se analisar a real possibilidade de seu uso”, diz.

Existem casos em que a Biometria é altamente indicada. Mas em outros, quando o volume de pessoas é muito grande e o acesso é rápido, não é aconselhado. “Pode ser que alguma característica biométrica mude e o sistema não seja eficaz”, completa Marcos Brafman.

O conselheiro de Normas e Ética da Assespro-MG fala que a tendência que os avanços na Biometria sejam crescentes. “É uma tecnologia que vem sendo desenvolvida constantemente e é o caminho natural para a identificação das pessoas. Além disso, o desenvolvimento do sistema possibilita a geração de mais negócios para as empresa”, acrescenta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário